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O Núcleo de População e Sociedade desenvolve pesquisas com foco na demografia das desigualdades e seus múltiplos impactos sociais, de gênero, geracionais e familiares. Com uma abordagem interdisciplinar, o Núcleo articula saberes da antropologia, sociologia, epidemiologia e saúde pública, promovendo análises críticas sobre dilemas sociais contemporâneos e contribuindo para a construção de um Estado democrático mais justo e inclusivo.
Entre seus objetivos destacam-se:
- Analisar as desigualdades sociais, de gênero e geracionais no contexto brasileiro, com base em evidências demográficas e sociais;
- Avaliar e monitorar políticas públicas voltadas aos direitos sexuais e reprodutivos, especialmente em contextos de vulnerabilidade social;
- Pesquisar e analisar as transformações nas famílias brasileiras, tanto em sua composição (formatos familiares, arranjos residenciais, estruturas parentais) quanto em suas dinâmicas internas (relações de cuidado, gênero e geração);
- Incorporar temas emergentes no debate acadêmico e público, refletindo sobre seus efeitos sociais e políticos;
- Produzir conhecimento interdisciplinar que subsidie a formulação e reformulação de políticas públicas eficazes e inclusivas, voltadas às populações vulneráveis.
Ao integrar diferentes áreas do conhecimento e dialogar com os desafios contemporâneos, o Núcleo busca contribuir para um debate público mais informado e qualificado, com base na ciência comprometida com a equidade e os direitos humanos.
Agendas de Pesquisa
- As pesquisas do Núcleo de População e Sociedade utilizam abordagens qualitativas e quantitativas, organizando-se em duas grandes linhas de investigação, em consonância com seus objetivos de analisar as desigualdades sociais, os direitos sexuais e reprodutivos, as transformações familiares e os desafios intergeracionais no Brasil contemporâneo.
- A primeira linha de pesquisa dedica-se à análise dos padrões demográficos de nupcialidade e fecundidade, com atenção às mudanças nos comportamentos reprodutivos e aos fatores institucionais, culturais e econômicos que influenciam essas decisões. São investigadas questões como: a regulação da reprodução e o exercício da sexualidade; o acesso à informação e aos serviços de saúde; os direitos sexuais e reprodutivos, a autonomia reprodutiva e o acesso às tecnologias de reprodução assistida; as relações entre gênero, reprodução e cuidado; e as barreiras econômicas, socioculturais e regulatórias que afetam o exercício desses direitos.
- Essa linha também problematiza o papel do mercado transnacional de reprodução assistida nas desigualdades estruturais, assim como os desafios éticos e legais emergentes nesse campo. Além disso, contempla a análise das transformações nas famílias, considerando tanto suas mudanças estruturais (composição, formatos e arranjos) quanto suas dinâmicas relacionais, especialmente nas esferas do cuidado, da parentalidade e das relações de gênero e geração.
- A segunda linha de pesquisa é voltada à adolescência e às juventudes, reconhecendo sua diversidade sociocultural e destacando a centralidade da promoção de direitos, da participação social e do fortalecimento de suas potencialidades. São discutidos temas como: identidade, sexualidade e pertencimento; os impacto das desigualdades sociais nas trajetórias juvenis; e as barreiras enfrentadas por adolescentes e jovens em contextos de vulnerabilidade.
- Essa linha também analisa as políticas públicas de saúde integral para adolescentes e jovens, à luz dos direitos sexuais e reprodutivos, da autonomia corporal e dos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Destaques
- Elza Berquó, Cem anos de presença com alma e coragem: lembrança pessoal
https://www.scielo.br/j/nec/a/HrF5vDcxNSbwf9mmgCfWVvH/?lang=pt
A homenagem celebra os 100 anos de Elza Berquó, reconhecendo sua trajetória como uma das pioneiras da demografia no Brasil. Ressalta sua atuação marcante na articulação entre pesquisa científica e engajamento político, especialmente nas áreas de direitos reprodutivos, equidade racial e juventude. Ao longo do texto, destaca-se seu papel na consolidação de instituições, produção de dados fundamentais para políticas públicas e sua escuta atenta às demandas sociais. A homenagem é, acima de tudo, um reconhecimento à sua contribuição singular para a construção de uma ciência comprometida com a realidade brasileira. - Casamento infantil no Brasil: o alto custo pago pelas meninas
https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2025/12/18/casamento-infantil-no-brasil-o-alto-custo-pago-pelas-meninas
O artigo aborda o casamento infantil no Brasil como uma prática ainda persistente e profundamente marcada por desigualdades de gênero, raça, classe e território, cujos impactos recaem majoritariamente sobre meninas. Apesar da redução nas taxas de união entre crianças e adolescentes nas últimas décadas, o fenômeno persiste, especialmente em contextos de pobreza, ausência do Estado e baixa escolaridade, onde é naturalizado como parte do ciclo de vida feminino. O texto evidencia que tais uniões comprometem gravemente os direitos, a autonomia e o futuro das meninas, associando-se a gravidez precoce, abandono escolar, mortalidade materna e violência institucional. Apoiado em dados do IBGE e estudos qualitativos, o artigo defende que enfrentar o casamento infantil exige não apenas leis, mas mudanças culturais, políticas públicas intersetoriais e garantia efetiva dos direitos sexuais e reprodutivos das meninas. - Fecundidade em crise? Ou ataque à autonomia reprodutiva?
https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2025/07/15/fecundidade-em-crise-ou-ataque-a-autonomia-reprodutiva
O artigo discute criticamente a queda das taxas de fecundidade no Brasil e no mundo, argumentando que esse fenômeno não deve ser tratado como uma crise demográfica, mas como reflexo das profundas desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero que afetam as condições de vida e as escolhas reprodutivas. Destaca que a decisão de ter filhos está condicionada por fatores como precarização do trabalho, ausência de políticas de cuidado, desigualdade no acesso a tecnologias reprodutivas e falta de apoio institucional, especialmente para mulheres negras e de baixa renda. O texto também aponta a migração como alternativa demográfica ignorada por discursos nacionalistas e denuncia as narrativas conservadoras que culpabilizam as mulheres pela queda da natalidade. Por fim, defende que o futuro da reprodução depende da construção de sociedades mais justas, que garantam autonomia, equidade e acesso universal a direitos reprodutivos.
